VITÓRIA Greve na Suape (PE) é suspensa; Comissão de base é reconhecida para negociar com a patronal

VITÓRIA Greve na Suape (PE) é suspensa; Comissão de base é reconhecida para negociar com a patronal

A greve dos trabalhadores da construção das obras refinaria de Suape (PE) foi suspensa. A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta quinta-feira (17).

Esta greve foi considerada uma grande vitória já que a Comissão de oito trabalhadores foi legitimada e começou a negociar com a empresa e o Ministério Público.

Esta comissão conseguiu com que fosse aberta uma mesa de negociação com a pauta de reivindicações da categoria. Foi garantido ainda, 60 dias de estabilidade para os trabalhadores um ano de estabilidade para a comissão e o não desconto dos dias parados.

Este movimento grevista teve o apoio da MLT (Movimento de Lutas Populares), CSP-Conlutas, do Sindicato dos trabalhadores dos Correios de Pernambuco, entre outros.

O membro da MLT, Antonio Ferreira Ramos Filho António ressaltou a força que tem a classe trabalhadora. “Neste confronto por melhores condições de trabalho os funcionários se levantaram contra a patronal e conseguiram legitimar sua comissão que verdadeiramente representa o interesse da base”, ressaltou, acrescentando que o apoio da CSP-Conlutas foi importante para esta consolidação.

Histórico da greve

Cerca de 7 mil trabalhadores da construção civil das obras da refinaria em Pernambuco pararam suas atividades no dia 9 de fevereiro. Os motivos da manifestação foram as más condições de trabalho e também reivindicações salariais. A Odebrecht, empresa que lidera o CONEST (consócio responsável pelas obras na refinaria) com o apoio do SINTEPAV (Sindicato dos Trabalhadores na Industriada Construção de estradas, pavimentação e obras de terraplanagem em geral no estado de Pernambuco) para impedir a greve reprimiu os trabalhadores.

O SINTEPAV (apoiada pela Força Sindical e que não é reconhecido pelos trabalhadores) compareceu na mobilização com o objetivo de acabar com a greve ao invés de defender os trabalhadores. Fazendo o jogo da patronal de forma covarde, um dos capangas de Aldo Amaral, presidente do sindicato, atirou contra os operários que se negaram à volta ao trabalho. Este fato levou um dos operários à morte por infarto, por causa do susto, e dois outros feridos, um no braço e outro na boca. 
 

O membro da MLT informou que esta greve era inevitável e aconteceu devido às injustiças da patronal. “Os funcionários estão submetidos às péssimas condições de trabalho, os alojamentos são precários. O conjunto destas coisas revoltou os trabalhadores e somado a tudo isso, nós não temos um sindicato que nos represente”, revelou.

Reivindicações

Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho. Um outro ponto crucial do movimento é a questão salarial. Eles querem a equiparação de salários com o dos trabalhadores da Petrobrás de outros estados. “É a mesma função, então deveríamos receber o mesmo salário” comenta um dos trabalhadores. Os trabalhadores também exigem justiça e punição dos culpados pelos crimes contra os trabalhadores